sábado, 30 de agosto de 2014

Slow-sewing ou costura devagar...



Da mesma maneira que um dia surgiu o fast-food, que encurtou o tempo para pessoas se alimentarem  e tempos depois surgiu o slow-food, quando se constatou que se alimentar correndo significava perder mais do que tempo, perdia-se o prazer de sentar com amigos ou familiares e calmamente desfrutar de uma refeição agradável, com conversas amenas, acho que com tecidos e costuras acontece o mesmo, um dia tudo passou a poder ser feito em grande escala, rapidamente e com custo baixo (“pret-a-porter” ou “ready-to-wear”) e assim as costureiras que vinham em casa foram perdendo sua função. “Compro-uso-e-jogo fora” virou a forma de viver. 
Aqui no atelier vigora o “slow sewing”-  entre conversas agradáveis costuramos nossas peças devagar e com alegria, e quando a peça fica pronta, podemos usar em nossa casa ou dar de presente para algum amigo.
Veja este maravilhoso paninho que achei entre os vários panos que minha mãe tem... Tudo feito à mão e tingido com cores perfeitas !!




quinta-feira, 28 de agosto de 2014

"Piscicose"

O título da postagem de hoje é uma brincadeira com o filme de Hitchkock, Psicose.
O caso é que estou gamada em peixes (pisci) e tenho feito vários carimbos e vários peixinhos... Daí então esta é a famosa "Pisci-cose" -
Com estes peixinhos fiz uns divertidos penduricalhos para pendurar na bolsa.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Toalha de mesa e liseuse bordados

O trabalho de costura que mostro hoje é uma toalha de mesa com 6 guardanapos, com bordado e aplicação feitos por minha mãe há 67 anos atrás, quando ela tinha apenas 14 anos, e que até hoje usamos na mesa de almoço. Em casa de minha avó, mãe de minha mãe, todos aprenderam a costurar pelo menos o básico e na mesma sala de costura, onde as filhas aprenderem a costurar e bordar, as netas também deram os primeiros pontos. Muito pequena, sob orientação de minha avó, bordei muitos paninhos de bandeja que dei de presente para tias e primas. Lembro que quando começava um desentendimento entre as meninas e os meninos, que ficavam por ali observando ou arriscando alguns pontinhos, minha avó deliberadamente deixava cair a caixinha de alfinetes no chão e pedia para os meninos catarem um por um. Ela era inteligente...


Também mostro a foto de um liseuse todo bordado à mão, absolutamente lindo. Esta peça é do final do século XIX e pertenceu a minha bisavó. Veja a maravilhosa riqueza dos bordados em tecido tão fino. 


 Toalha de mesa com bordado e aplicação, feita em 1947, por minha mãe.





 Liseuse, é um bolerinho que se usava por cima da camisola, para sair do quarto. Este pertenceu a minha bisavó.  
Pendurei a peça em cabide antigo e contra a luz da janela para ajudar a mostrar os detalhes.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sianinha

A Carmo trouxe este mostruário feito pela mãe dela , Teresa, com propostas de diferentes bordados com sianinha.
Achei uma beleza !!


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

História de vários paninhos...

Pano para bandeja, pano para cesta, pano para colocar o copo do drink em cima, pano para por embaixo da xícara de cafezinho. Panos rendados, bordados, pintados... Para cada  situação um paninho diferente.
Minha mãe abre a caixa onde guarda os paninhos que herdou da mãe e da avó e vai contando as ocasiões em que os usava e a técnica empregada na confecção de cada um dos trabalhos. A delicadeza dos tecidos e acabamentos, as bainhas variadas, os bordados e franjas são como jóias preciosas onde é possível ver que muito tempo foi dedicado para chegar àquele resultado.

Alguns panos eu me lembro bem de ter visto ainda em uso, outros, amarelados, são lembranças de um tempo alegre onde as horas passavam muito mais devagar. 


 Paninhos variados, feitos com uma técnica diferente...

 Renda para bandeja ...

Este pano é o mais especial. pendurei na cortina, contra a luz, só para mostrar a transparencia do tecido. Incrível, não é ? (veja este pano dobradinho na primeira foto)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Rolotê

Rolotê é um tipo de acabamento que pode ser usado de várias maneiras e pode ser aplicado em roupas ou acessórios. A Carmo está fazendo uma almofada com um tecido que foi pintado pela mãe dela usando a técnica de batik e foi rebordado com ponto corrente e ponto "repolho" pela própria Carmo. Para dar uma acabamento mais caprichado ela decidiu aplicar rolotê à volta toda. Deu trabalho, mas o resultado ficou bem bonito.


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Mais disco voador...

A equipe de avaliação do meu trabalho, digo, minha familia, fez criticas aos OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados) que fiz. Cada um diz uma coisa: "parece uma jujuba" ou " OVNI não tem antena"... Resolvi fazer mais um teste hoje, com 2 novos OVNIs. Estampei um pano com todos os OVNIs. O conjunto ficou bom, mas concordo que os discos voadores que fiz hoje, um sem pernas e antenas e outro miudinho, sem antena, ficaram bem bonitinhos.



sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Crônica sobre costuras

Na caixinha de papelão, original da fábrica, ainda estão guardadas as tirinhas de tecido com as letras iniciais dos nomes de meus irmãos e primos . Era assim que marcavam nossas roupas, única maneira possível de recupera-las, dentre as milhares de peças deixadas para trás, em casa de minha avó, depois das férias de verão.  Me lembro das tias reunidas na sala de costura, e entre conversas e lanchinhos deliciosos, cada uma com sua agulha, marcava as roupas dos filhos. As roupas de meus avós e bisavós também eram marcadas com letrinhas, mas aí o objetivo era garantir que depois de entregue na lavanderia as roupas voltariam para seus donos.

Mas as iniciais bordadas em tirinhas de pano de algodão não eram as únicas letras que marcaram minha infância. Havia monogramas nas toalhas de mesa, lençóis, fronhas, colchas e toalhas de banho. Estes monogramas não se compravam a metro, eram bordados um a um. Os mais sofisticados eram encomendados a costureiras especialistas no oficio e os mais simples cuidadosamente bordados em casa. Também bordei monogramas nas roupas de minha filha, não eram tão sofisticados, mas resolviam o mesmo problema, garantir as peças de volta no armário


 Letras para marcar roupa. Misturadas aí, estão as inicias de meus irmãos, primos, avós e bisavós !



 Monograma bordado na fronha do lençol de meus pais, feito para enxoval de casamento.



Detalhe de uma folha do livro de riscos de bordados e estudo de monograma.
Herdei este livro de minha avó.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Da minha janela, vejo uma luz ...

Quero muito fazer um carimbo legal de um disco voador. Já fiz vários testes. Hoje cheguei em um novo formato e testei neste pano na foto abaixo.
Enquanto trabalho,  na cabeça fica a música da Rita Lee:

Da minha janela vejo uma luz
Brilhando no céu da terra
É azul, é azul
Não é avião, não é estrela
Aquela é a luz de um disco voador
Disco voador

Pano secando ao sol, no gramado.

sábado, 26 de julho de 2014

Bolsa nova, com disco voador.


mãe costureira e filha cozinheira...

Fiz para Lila este avental, cheio de peixinhos...




quinta-feira, 24 de julho de 2014

Machado de Assis e a costura ...

Vejam que divertido este conto de Machado de Assis, que cria um diálogo entre uma agulha e um novelo de linha.


Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.

Disco voador

Fiz este novo carimbo com formato de disco voador.



Almofada em forma de cachorro...

A Luisa adora cachorro e já havia feito um chaveiro com o formato do Fox Terrier. Agora ela fez uma almofada com o formato do cachorrinho. Ele tem coleira e tudo !



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Cartaz novo ...

Fiz um novo cartaz para divulgar o atelier. Medi errado a margem e resolvi completar a borda com canetinha azul...  sem problema, estimulo para fazer outro...